15/10/2025

O agronegócio brasileiro segue consolidando sua posição de protagonista global na produção de alimentos, fibras e energia. Mesmo diante de um cenário internacional de incertezas econômicas e tensões geopolíticas, o setor continua sendo o motor da economia nacional, respondendo por cerca de 25% do PIB e mais de 40% das exportações do país (MAPA, 2025).

Com a divulgação do relatório “Perspectivas para a Agropecuária 2025/2026”, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é possível traçar um panorama detalhado sobre o futuro da produção de grãos no Brasil e no mundo. As projeções indicam mais uma safra robusta, marcada pela expansão de áreas, aumento da produtividade em algumas culturas e ajustes de preços em decorrência dos elevados estoques globais.

Cenário global: demanda firme, mas com preços ajustados

No cenário internacional, o ano de 2025 deve ser de continuidade na recuperação dos estoques mundiais de grãos, após os desequilíbrios causados pela pandemia e pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. Segundo a FAO (2025) e o USDA (United States Department of Agriculture), a produção mundial de grãos deve crescer cerca de 1,5% em 2025, atingindo 2,33 bilhões de toneladas.

O aumento da oferta global pressiona os preços, especialmente da soja e do milho, que devem se manter em patamares mais baixos do que os observados entre 2021 e 2023. Por outro lado, a demanda internacional por proteínas vegetais e biocombustíveis deve seguir sustentada, com destaque para o papel do Brasil na exportação de soja e milho para a China, Europa e países do Sudeste Asiático.

O avanço dos programas de descarbonização em diversos países — e o aumento da mistura de biodiesel ao diesel — reforçam a importância estratégica da soja e do milho na matriz energética global. Esses movimentos tendem a beneficiar o Brasil, que possui a maior capacidade de expansão agrícola sustentável do mundo, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2025).

Panorama nacional: tecnologia, sustentabilidade e gestão como diferenciais

A safra 2024/25 mostrou como o clima favorável aliado à tecnologia e à competência técnica dos produtores rurais brasileiros pode gerar resultados expressivos. O país colheu cerca de 350 milhões de toneladas de grãos, segundo a Conab, e se prepara para manter esse patamar na safra 2025/26.

Mesmo com o recuo nas cotações internacionais, o agro brasileiro deve continuar crescendo. A Conab projeta uma elevação de 3,1% na área cultivada com grãos, chegando a 84,2 milhões de hectares, e uma produção total estimada em 353,7 milhões de toneladas, o que representa aumento de 1% em relação à safra anterior.

Os principais fatores que sustentam esse desempenho são:

  • Adoção de tecnologias de precisão, irrigação e biotecnologia;
  • Gestão profissional das propriedades rurais, com foco em mitigação de riscos e planejamento de custos;
  • Uso mais eficiente da terra, com expansão sobre áreas de pastagens degradadas, evitando o desmatamento;
  • Maior integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que aumenta produtividade e sustentabilidade.

Soja: produção recorde e liderança global mantida

A soja segue como carro-chefe da agricultura brasileira. Para a safra 2025/26, a Conab projeta uma produção de 177,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,6% em relação à safra anterior.

Mesmo com o excesso global de oferta, a demanda mundial continua em expansão, impulsionada pelo aumento do esmagamento para ração animal e pela produção de biocombustíveis. No Brasil, a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel deve subir de 14% para 15% em 2025, ampliando o consumo interno do óleo de soja (ANP, 2025).

A área plantada com soja deve crescer 3,7%, alcançando cerca de 49 milhões de hectares, com produtividade média estável em 3.620 kg/ha. Caso as condições climáticas se mantenham favoráveis, o país deve atingir novo recorde produtivo, consolidando-se como maior produtor e exportador mundial de soja.

As exportações brasileiras devem ultrapassar 112 milhões de toneladas, um aumento de 5% sobre o ciclo anterior. A China continuará como principal destino, absorvendo cerca de 73% da soja exportada pelo Brasil.

Entretanto, a rentabilidade do produtor tende a ser pressionada. O relatório da Conab destaca que, devido ao excedente global e aos altos estoques internacionais, os preços devem se manter baixos em 2026, podendo reduzir as margens no mercado interno. Ainda assim, a liquidez e a demanda garantem estabilidade à cultura.

Milho: leve queda na produção, mas com demanda aquecida

Após uma safra excepcional em 2024/25, o milho deve registrar pequena redução na produtividade em 2025/26, reflexo da base comparativa elevada. Mesmo assim, a cultura mantém relevância estratégica para o país.

A Conab estima produção total de 138,3 milhões de toneladas, recuo de 1% em relação à safra anterior, mas com expansão de área cultivada (3,5%), totalizando 22,6 milhões de hectares.

A primeira safra deve crescer 4,3% em área, impulsionada por melhores preços no início do ano e pela expectativa de maior demanda externa. Já a segunda safra (safrinha) continuará dominante, representando mais de 75% da produção total.

No mercado interno, o consumo deve subir 4,5%, puxado pela expansão do setor de etanol de milho — que segue crescendo fortemente em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul — e pela demanda da indústria de ração.

As exportações brasileiras de milho também devem avançar, atingindo 46,5 milhões de toneladas, aumento de 16,3% sobre 2024/25, com destaque para o redirecionamento das compras asiáticas para o milho sul-americano devido a tarifas impostas aos EUA.

Com isso, o milho brasileiro reforça seu papel como alternativa global segura e competitiva, ainda que os preços devam seguir acomodados em razão do alto volume de oferta mundial.

As demais culturas apresentam leve estabilidade. O feijão, por exemplo, deve ter produção de 3,1 milhões de toneladas, crescimento de 0,8%, enquanto o arroz deve apresentar redução de cerca de 10% na produção, reflexo de retração na área plantada e da recomposição dos estoques, e o algodão deve manter tendência positiva, com leve alta de 0,7%, alcançando 4,09 milhões de toneladas. Essas culturas, embora menos expressivas em volume, seguem essenciais para o abastecimento interno e a segurança alimentar do país.

Perspectivas econômicas e estruturais do agro

O ambiente macroeconômico brasileiro em 2025 segue desafiador, mas com alguns sinais positivos. A expectativa é de crescimento do PIB em torno de 2,3% (IPEA, 2025) e inflação controlada, o que tende a favorecer investimentos no campo.

Os custos de produção devem se manter estáveis, com tendência de queda nos preços dos fertilizantes e defensivos, após os aumentos registrados entre 2021 e 2023. Além disso, a taxa de câmbio próxima de R$ 5,20 favorece as exportações, especialmente de commodities agrícolas.

Outro ponto importante é o avanço das políticas públicas voltadas à sustentabilidade. Programas como o Plano ABC+ e as metas de emissões líquidas zero até 2050 têm incentivado práticas sustentáveis e o uso de tecnologias de baixo carbono.

Segundo a UFMG (2025), o Brasil pode expandir em mais de 40% suas áreas agrícolas até 2050, principalmente sobre pastagens, sem necessidade de desmatamento — reforçando a imagem do país como potência agroambiental.

Desafios à frente: clima, logística e rentabilidade

Apesar do otimismo, a safra 2025/26 traz desafios. O clima segue como fator de maior risco, especialmente em um cenário de transição entre os fenômenos El Niño e La Niña, que pode alterar o regime de chuvas no Centro-Oeste e no Sul.

A logística também é um gargalo crítico. O aumento da produção pressiona a infraestrutura de escoamento — portos, ferrovias e rodovias —, sobretudo durante o pico da colheita. Em 2024, o Brasil exportou volumes recordes, o que sobrecarregou os principais corredores logísticos.

Segundo o Ministério dos Transportes (2025), cerca de 65% da produção de grãos ainda é escoada por rodovias, o que eleva custos e reduz competitividade. Projetos como a Ferrogrão, a BR-163 pavimentada e a ampliação da Malha Norte serão decisivos para garantir fluidez às próximas safras.

Além disso, a rentabilidade do produtor deve seguir apertada, exigindo mais gestão e planejamento comercial. O uso de estratégias de hedge, cooperativismo e integração de cadeias logísticas pode fazer a diferença entre lucro e prejuízo.

Conclusão: um agro mais forte, sustentável e estratégico

As perspectivas da safra 2025/2026 confirmam o que o mundo já reconhece: o Brasil é o maior celeiro agrícola do planeta — e também um dos mais sustentáveis. A combinação de tecnologia, eficiência e responsabilidade ambiental garante ao país um papel central na segurança alimentar global.

A Gnova, presente nos principais polos produtores do Brasil — Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará —, segue lado a lado com o produtor rural, conectando soluções que impulsionam produtividade, competitividade e sustentabilidade no campo.

O futuro do agro é feito de inovação, gestão e propósito. E o Brasil, mais uma vez, está pronto para colher os frutos dessa jornada.


Fontes:

  • Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Perspectivas para a Agropecuária 2025/2026, Brasília, 2025.
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), PAM 2024.
  • Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Boletim Agropecuário, 2025.
  • Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), Global Agriculture Outlook 2025.
  • Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Modelagem de uso da terra no Brasil – Otimizagro 2050.