20/04/2026

A Gnova Grains concluiu, na última semana, mais uma operação relevante no mercado internacional de grãos ao finalizar o embarque de aproximadamente 68 mil toneladas de soja pelo porto de Barcarena (PA), no chamado Arco Norte. A carga, destinada à Tailândia, reforça a estratégia da empresa de diversificar mercados e ampliar sua atuação logística em corredores cada vez mais competitivos no Brasil.

O embarque foi realizado no navio MV Tolmi, de bandeira das Ilhas Marshall, e reúne mais de 1,1 milhão de sacas de soja originadas principalmente nos estados do Pará e Mato Grosso, regiões que vêm ganhando protagonismo na expansão da produção agrícola nacional.

Segundo o CEO da Gnova, Ronan Giuliangeli, a operação representa um avanço importante na consolidação da empresa no Arco Norte.

“Essa operação via Barcarena é muito importante para nós porque hoje temos um espaço próprio contratado no porto, o que nos permite administrar a logística de forma muito mais eficiente”, destaca.

Arco Norte ganha protagonismo na logística de grãos

O crescimento das exportações pelos portos do Arco Norte reflete uma mudança estrutural na logística brasileira. Corredores como Barcarena, Itaqui e Santarém têm se tornado alternativas cada vez mais competitivas aos portos tradicionais do Sul e Sudeste, especialmente para produtores das regiões Centro-Oeste e Norte.

No caso da Gnova, a escolha por Barcarena está diretamente ligada à eficiência logística e à redução de custos no transporte rodoviário.

“O Arco Norte proporciona uma logística mais competitiva para regiões como o Vale do Araguaia, no Mato Grosso, e o próprio Pará. Isso acaba refletindo diretamente no preço para o produtor e para nossos parceiros”, explica Giuliangeli.

Dados recentes do setor indicam que os portos do Arco Norte já respondem por uma parcela significativa das exportações brasileiras de grãos, com tendência de crescimento nos próximos anos, impulsionada por investimentos em infraestrutura e pela expansão da produção nessas regiões.

Diversificação de mercados e estratégia internacional

O destino da carga — a Tailândia — também reforça um movimento estratégico da empresa: a busca por novos mercados além da China, principal compradora da soja brasileira.

“A gente já realizou outros embarques para a Tailândia, mas esse é o primeiro do ano. É um mercado importante porque amplia nossas opções além da China, trazendo mais liquidez e alternativas comerciais para nós e para nossos parceiros”, afirma o CEO.

A Ásia segue como o principal destino das exportações brasileiras de soja, com destaque para a forte demanda por proteína vegetal na alimentação animal e na indústria de alimentos. Países do Sudeste Asiático, como a Tailândia, vêm aumentando gradualmente sua participação nesse fluxo, acompanhando o crescimento econômico e populacional da região.

Originação e integração com o produtor

A operação também evidencia o modelo de atuação da Gnova, baseado na proximidade com produtores, cooperativas e parceiros regionais. A soja embarcada foi colhida recentemente, entre fevereiro e março, e estruturada por meio de um trabalho integrado de originação.

Esse processo envolve desde a negociação comercial até a logística de escoamento, conectando a produção no campo diretamente aos mercados internacionais.

Perspectivas e novos embarques

A expectativa da empresa é ampliar esse tipo de operação ao longo do ano. Segundo Giuliangeli, um novo embarque com características semelhantes já está programado para o mês seguinte, reforçando a continuidade da estratégia no Arco Norte.

“A gente tende a fortalecer ainda mais essa operação. Já temos um próximo navio programado e seguimos investindo nesse modelo para apoiar o agro, principalmente na região Centro-Norte do país”, afirma.

Além da eficiência logística, o Arco Norte também se destaca pelo potencial de expansão sustentável da produção agrícola. A disponibilidade de áreas já abertas, como pastagens degradadas, permite o avanço da agricultura sem necessidade de novos desmatamentos.

“O Arco Norte tem muita área para crescer sem desmatamento. Regiões do Pará e do Mato Grosso possuem áreas que podem ser convertidas em lavoura de forma sustentável, o que reforça ainda mais a importância dessa região para o futuro do agro brasileiro”, ressalta o executivo.

Com a produção brasileira de soja projetada em níveis recordes para a safra 2025/26 e a demanda internacional aquecida, especialmente na Ásia, a tendência é de que corredores logísticos mais eficientes ganhem ainda mais relevância.

“A gente entende que o volume do Arco Norte deve crescer muito nos próximos cinco a dez anos. Ele já é fundamental para a exportação brasileira e continuará sendo um ponto-chave na logística do país”, conclui Giuliangeli.

Com operações como essa, a Gnova reforça seu posicionamento como uma empresa conectada às novas dinâmicas do agronegócio, integrando originação, logística e mercado internacional para gerar mais eficiência e competitividade aos produtores brasileiros.