
Aumento nos custos de transporte: como minimizar o impacto no planejamento da safra
O transporte de grãos no Brasil enfrenta um cenário desafiador em 2025. Com a colheita recorde e o aumento dos preços dos combustíveis, os custos logísticos para escoamento da safra estão em alta, pressionando os produtores e impactando a competitividade do agronegócio nacional. Diante desse cenário, vamos elencar algumas informações e orientações estratégicas para que produtores e revendas minimizem os impactos financeiros e otimizem a comercialização de sua produção.
O impacto da logística no custo final da safra
O transporte de grãos representa uma parcela significativa dos custos do produtor. Em 2025, com a alta demanda por caminhões e a falta de frota suficiente para atender à colheita recorde, os valores do frete agrícola podem subir até 12%, segundo estimativas da Ceres AgroBank. Além disso, a concentração de exportações nos primeiros meses do ano tem pressionado os preços, especialmente nos portos do Arco Norte, como Barcarena e São Luís.
Fernando Oliveira, Diretor Comercial da Gnova Grains, destaca que “devido a um atraso no plantio de soja, hoje todos os navios nos portos estão com lineup atrasados, estão chegando nos portos e não têm carga. Isso está encarecendo muito os fretes da mercadoria, principalmente Barcarena, São Luís e os portos do Arco Sul”.
Outro fator que impacta diretamente os custos logísticos é a forte dependência do Brasil do modal rodoviário. Atualmente, cerca de 65% do transporte de grãos no país é feito por caminhões, enquanto ferrovias e hidrovias ainda possuem participação limitada. O alto custo do diesel e a escassez de mão de obra no setor de transporte também têm pressionado os preços do frete, tornando essencial a busca por alternativas para reduzir esses impactos.
Medidas do governo e os desafios logísticos
Para aliviar o impacto da alta dos fretes, o Governo Federal anunciou recentemente um pacote de investimentos em infraestrutura, incluindo a ampliação dos portos e melhorias em rodovias e ferrovias estratégicas. As iniciativas visam aumentar a capacidade de escoamento e reduzir gargalos logísticos que elevam os custos do transporte.
Contudo, mesmo com essas medidas, os desafios continuam. A dependência do transporte rodoviário ainda é alta, e os preços do diesel continuam subindo, afetando diretamente os custos para os produtores. Além disso, fatores externos, como a guerra comercial entre EUA e China, também influenciam os preços dos grãos e do frete.
Outro ponto que pode afetar o transporte e a comercialização da safra é a volatilidade cambial. Com um cenário de incertezas no mercado global e oscilações na taxa de câmbio, os custos logísticos podem sofrer variações significativas. A valorização do dólar, por exemplo, pode encarecer a importação de insumos, enquanto uma desvalorização impacta diretamente o poder de negociação dos produtores na exportação de grãos.
Estratégias para mitigar o impacto do aumento do frete
Diante dessas incertezas, a Gnova orienta seus clientes a adotarem estratégias inteligentes para proteger sua rentabilidade. “O produtor tem que ficar muito atento, pois todo encarecimento de frete retorna para ele”, alerta Oliveira.
Uma das principais recomendações é o escalonamento das vendas. “Nosso conselho sempre é: trave primeiro o seu custo, ele é a base do seu negócio. Após isso, vá escalonando as suas vendas: venda 10%, 20%, 30%. Assim você sempre vai ter uma média do mercado, sem ficar tão exposto a uma necessidade urgente de venda quando o mercado está baixo”, explica o executivo.
Além disso, acompanhar de perto as movimentações do mercado internacional é essencial para uma tomada de decisão mais assertiva. “Hoje, como nossa mercadoria basicamente é exportada, tudo que é política externa afeta o Brasil. Uma briga da China com os Estados Unidos pode fazer o preço subir, ou um acordo que eles venham a fazer pode afetar e o preço vir a baixar no Brasil. Outras medidas internas também podem afetar uma alta do dólar ou até uma baixa. Por isso, sempre indicamos as vendas parceladas para que isso não ocorra”, acrescenta Oliveira.
Uma estratégia adicional para mitigar o impacto do aumento dos custos logísticos é a diversificação dos modais de transporte. Embora o Brasil ainda dependa fortemente do modal rodoviário, o uso de ferrovias e hidrovias pode reduzir significativamente os custos de escoamento, especialmente para longas distâncias. Além disso, a negociação de fretes em contratos de longo prazo pode proporcionar maior previsibilidade e proteção contra variações sazonais dos preços.
O aumento dos custos logísticos é um desafio constante para o agronegócio brasileiro, mas estratégias bem estruturadas podem minimizar os impactos e garantir maior previsibilidade para os produtores. Com um planejamento financeiro sólido, acompanhamento de mercado e parceria com empresas experientes em originação e trading de grãos, como a Gnova, os produtores, cooperativas e revendas podem atravessar esse cenário com mais segurança e eficiência.
Para mais informações sobre como a Gnova pode ajudar a otimizar a comercialização da sua safra, entre em contato com nosso time de especialistas.